Semelhante à área de medicina que se desmembrou em várias áreas, enfermagem, odontologia, fisioterapia, entre outras, a computação expandiu e apenas um curso não é mais o bastante para tanto conhecimento/especialização. Daí, além do pioneiro curso de Ciência da Computação (1975), os docentes do Centro de Informática (CIn) da UFPE estruturaram os cursos de Engenharia da Computação (em 2002) e de Sistemas de Informação (2010).
No ano passado, foi a vez do curso de graduação em Inteligência Artificial (IA), criado com o intuito de suprir necessidades de formação e de mercado (link). Tenho trabalhado com IA, mais especificamente com Aprendizagem de Máquina, um ramo da IA que aprende a partir de dados, desde a iniciação científica. É um assunto que me fascina há anos e que, recentemente, tomou conta das manchetes. Emergiu das profundezas da academia para ser assunto nas mais variadas rodas de conversa.
Logo, mas, não tão logo assim ;), aceitei o desafio de ser o primeiro coordenador da recém delineada graduação (link, link). Trabalho não faltou, mas o objetivo, que se tornou prioridade, de tornar o curso uma referência era compartilhado por muitos. Foi um trabalho a várias mãos e isso tornou o caminhar mais tratável, além de ajudar a vislumbrar um caminhar promissor para o curso caçula do CIn.

Em 2025, as duas primeiras turmas do curso de IA (25 alunos na primeira entrada + 25 alunos na segunda entrada) não passaram pelo processo de seleção tradicional devido ao prazo. Tivemos que recorrer a outra opção e estes 50 alunos foram selecionados pela melhor nota do Enem nos três anos anteriores. A concorrência foi alta, mais de 2000 candidatos para as 50 vagas. Em geral, a alta concorrência se reflete em turmas mais homogêneas e isso pode ser visto por um prisma interessante.
Para as entradas de 2026 (e posteriores), o curso de IA seguiu o fluxo corrente de qualquer outro curso de graduação da UFPE e a seleção foi realizada pelo SiSU. Em sua primeira participação no SiSU, o curso de IA ficou no Top5 das maiores menores notas para ingresso na UFPE, ficando atrás dos outros cursos de graduação do CIn e de Medicina.
Sabemos que ainda temos muito a trilhar para consolidar o curso. Mas, os primeiros passos foram dados de maneira sólida e com o balizamento de um corpo docente que está entre maiores e mais produtivos em IA no Brasil.
Agradeço aos profs. Tsang e Ricardo Prudêncio pela parceira na coordenação do curso e desejo sucesso aos novos coordenadores. Podem contar comigo para que o nosso rebento prospere!