Cursos de graduação do Centro de Informática da UFPE se destacam no Enem

A matéria a seguir foi publicada  no Jornal do Commercio (JC) em 05/03/2026 (link).

Ingressar em uma universidade de topo é mais do que garantir um caminho para um diploma admirável, é o resultado de transformar esforço e disciplina em hábito. Para o estudante com propósito e que consegue definir sua prioridade, a materialização desse sonho representa uma oportunidade para adentrar em um universo no qual o ponteiro da bússola aponta para a excelência. 

Escolher uma faculdade é uma decisão multifatorial que agrega estratégia de carreira com estilo de vida. Logo, o estudante, à luz da sua vocação, é levado a refletir sobre vários fatores para balizar esta escolha. Dentre os fatores mais relevantes, alguns se destacam e estão normalmente em pauta, tais como: prestígio da instituição e do curso, oportunidades no mercado de trabalho, custo para se manter no curso, logística, além da infraestrutura proporcionada pela instituição. 

O Centro de Informática (CIn) da UFPE é reconhecido como um dos principais pólos de inovação e de excelência acadêmica em computação da América Latina, destacando-se por um ambiente que congrega pesquisa de alto nível e conexão com a indústria. Neste ano, os quatro cursos de graduação oferecidos pelo CIn (Sistemas de Informação, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Inteligência Artificial) ficaram entre os cinco cursos da UFPE com maiores notas de corte para ingresso por ampla concorrência do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). O quarto colocado foi o curso de Medicina. O CIn lidera as notas do SiSU pelo pelo terceiro ano consecutivo na UFPE e esse resultado reflete a percepção da sociedade em relação ao que o CIn é capaz de proporcionar não apenas do ponto de vista técnico, mas também da relação com o mercado de trabalho. 

Com o intuito de proporcionar uma formação mais ampla, o CIn tem continuamente dado mais protagonismo aos estudantes. Iniciativas como o CIn OpenDay, que abre as instalações do centro para a sociedade, visitas regulares de alunos do ensino médio, ligas acadêmicas, equipes de robótica, empresa júnior, maratona de programação, entre outras, quebram paradigmas, rompem os muros da academia conectando-a à sociedade e promovem excelentes oportunidades de aprendizagem para os nossos alunos.

É notória a abrangência do real impacto da computação nas diversas áreas do conhecimento (saúde, humanas e exatas) nos últimos anos e, em particular, mais recentemente, da Inteligência Artificial (IA). Aliada à excelência do CIn e ao aquecimento do mercado de trabalho na área de informática, tais fatores certamente contribuem para a alta concorrência dos cursos de graduação e são impulsionadores para que todos os que compõem o CIn continuem trabalhando com o intuito de formar profissionais extremamente qualificados, capazes de aprender continuamente, sem jamais esquecer preceitos éticos, fundamentais para os graduados que vão assumir tarefas desafiadoras.

14 anos de Metodologia Científica: além do TCC

Embora tenham sido 14 anos lecionando a disciplina de Metodologia na graduação em Engenharia da Computação do CIn-UFPE, não posso dizer que foram “longos anos”; passou rápido demais.

Inicialmente, não tinha a intenção de ficar na mesma disciplina por tantos anos. Mas, fui me afeiçoando gradativamente pela arte, em especial, de conduzir os alunos da graduação nos meandros da escrita científica. Um desafio que se mostrou prazeroso, particularmente, ao testemunhar os caminhos percorridos pelos egressos e ter a oportunidade de conversar com eles.

Durante as aulas, desde o início, lá em 2012, aproveitava o ensejo para contar um pouco sobre a vida acadêmica. Discussões sobre o que é um trabalho de conclusão de curso, um mestrado, um doutorado, um pós-doutorado, e, também, sobre as atividades (papéis) de um professor universitário. Levar esse entendimento aos alunos de gradução contribui para o despertar da nova geração de cientistas, além de colocar um pouco de luz nesta cena que ainda respira informações desencontradas. Ademais, como escolher um caminho sem um mínimo de discernimento das competências necessárias para trilhá-lo?

As discussões descritas no parágrafo anterior despertavam, como um reflexo automático, questões sobre as diferenças/contrapontos/(des)vantagens em relação ao mercado de trabalho fora da academia. Logo, o debate ficava ainda mais rico! Assim, investia esforços com intuito de fornecer subsídios para que eles, os alunos, conseguissem avanços no poder de decisão para um planejamento mais consciente das possibilidades que estão por trilhar.

Revisão da literatura, integridade científica, plágio, o método científico e as bases científicas da pesquisa, o que é e como fazer ciência, persuasão, o poder de uma palavra, estruturação de um parágrafo, de uma seção, de um documento, apresentações oral e pôster, entre outros importantes tópicos tiveram espaço garantido nas aulas de Metodó (abreviatura carinhosamente cunhada pelos alunos).

Foram quase 30 turmas e mais de 730 alunos. Vários engenheiros que hoje exercem suas atividades em diferentes empreendimentos (próprios ou não), alguns mestres, outros doutores. Independente do caminho, todos carregam consigo o poder de melhor expressar-se claramente, de maneira concisa e sem ambiguidade. Tríade (clareza, concisão e não-ambiguidade) que repetia a exaustão nas aulas.

Aprendizado contínuo é uma obrigação para conosco que devemos cativar com carinho. Despeço-me da disciplina, mas a Metodologia e a Escrita Científica continuam comigo. Fazem parte do meu dia-a-dia. E, indubitavelmente, tornei-me um professor/cientista melhor após estes 14 anos, por causa de (e para) vocês, meus alunos.

Ao fechar ciclos, abrimos espaços para que outros sejam iniciados!